Aventuras Cronicas 2
O amor em tempo prestissimo
Diz-se por ai e é fato, nao é possível prever o que vai nos acontecer no decorrer de cada uma das 24 horas que vencemos semanalmente. Acho que essa é uma das grandes razões pela qual as pessoas se suicidam menos no Brasil. Fazemos parte de uma cultura muito de rua. Se estamos tristes e nos sentindo solitarios não ligamos a lareira colocamos Wagner no I-pod e vamos ler um pouco de Goethe, o Brasileiro de maneira geral tem uma vocação para a rua.
Eu por exemplo quando estou me sentindo chateada coloco perfume no corpo todo uma bela lingerie brincos bonitos e um belo vestido e saio de casa para ver o que a rua me traz, a rua sempre traz alguma coisa interessante por estas paragens… uma cena engraçada, abraços de amigos, belas musicas, uma pomba gira, uma gripe suina e as vezes, apenas muito raramente uma historia de amor… Agumas destas histórias acabam, outras continuam… apenas Deus pode prever ou a memória pode contar…
O que determina se um romance vai se desenvolver depois de um início radiante de novidade é justamente a capacidade que estes indivíduos tem de adaptação um ao outro e a paciência que dispensam para tanto.
Partimos de um início na nossa infância de idéia do par ideal:
Os meninos sonham com as Barbies louras das irmãs, com as proprias mães e depois com as imagens de revistas pornográficas que veem escondido na adolescencia. Pouco a pouco a realização de que uma mulher é bastante mais complexa que fotografias, bonecas plásticas ou a velha e conhecida mamãe vai se tornando uma realidade para o homem. E é inegável a dificuldade que eles têm de enfrentar para iniciar uma vida sexual…
As meninas idealizam o principe outras o pai, e disso posso falar com mais propriedade… elas idealizam o homem que paga as conta, as conquista 24 horas por dia e vive dizendo o quão linda elas são, sem falar no fato que seu desejo tem de ser uma ordem. Sua virgindade é um prêmio e com o passar dos anos e mesmo depois do coito o valor da virgindade permanece mais ou menos inalterado. Para a mulher ceder a um homem é quase sempre um prêmio que pode custar bastante caro ou não.
Com o correr do tempo essas idéias se dissolvem e é preciso muito cuidado para não cristalizar as características dos homens ou mulheres que passaram por nossas vidas como definitivas ou comuns a todos os outros. Quando passamos de 28 anos é possível e natural que tenhamos tido pelo menos 2 relacionamentos na vida… e por consequência estes relacionamentos se tornam referência para todos os próximos.
É precido distinguir alhos de bugalhos. E felizmente depois de destruir vários possíveis inícios férteis pelo menos de felicidade, descobri que é muito importante saber conduzir e gerenciar as expectativas do outro e as nossas. Vivemos num tempo em que cada um quer que o outro se adapte a ele numa rapidez de um primeiro encontro e quando isso não acontece geralmente riscamos o nome do individuo que ousou usar de individualidade do caderninho e partir para outra. ”Cada ser humano é um mundo particular e inteiro”, é o que diz um amigo meu… Mas garanto que mesmo repetindo para nós mesmos este mantra todos os dias ainda fica difícil seguir a regra. Eu sou uma mulher independente, não por que eu queira isso mas a vida me moldou assim, já sofri bastante e não quero esperar nada de nenhum homem… mas o que acontece quando surge alguém que não é um idiota ? As defesas estão a tanto tempo erguidas que fica difícil encontrar brecha para entrar um raio de sol que seja. O mundo pragmatico e cristalizado em sua maldade e egoísmo é um quadro pintado no interior da parede que usamos para proteção e nos surpreenderemos se abrirmos um buraquinho na tela suja, velha e puída para a qual olhamos ao invés de olhar para a vida presente que muda a cada instante…
Eu pelo menos estou agora nesta missão, gráças ao destino ou à idade, minha curiosidade e coração aberto me obrigam a olhar o outro e a mim mesma com mais interesse, menos julgamento e mais paciência. Acho que se minhas amigas e amigos fizessem o mesmo reclamariam menos da solidão seriam mais felizes, eu teria que escrever menos histórias sobre seres humanos que não conseguem se relacionar no mundo contemporâneo e quem sabe poderia escrever uma história de amor que caminhando devagar e sempre acaba com final feliz.
Um beijo para todos os leitores e ótima semana. Meus profundos desejos de que cada um encontre alguma felicidade em qualquer buraco, fresta, imaginação, realidade, livro, blog, música, peça de teatro, amigo, amor, novidade… consiga neutralizar o medo do fracasso em prol de um futuro longo ou não… mas pelo menos flúido.
Alice